Como organizar estantes de livros infantis?

Janeiro é tempo de organizar a casa. Deixar para trás tudo aquilo que não nos serve mais e se preparar para um novo ciclo. Com os livros, não é diferente. Como arrumar os cantinhos das crianças e garantir que elas tenham mais interesse pela leitura? Falamos com bibliotecários para entender a melhor maneira de organizar as obras infantis.

O livro é livre! E a criança também

Quando vamos organizar uma estante, há de se pensar na criança que vai utilizá-la. O consenso entre as bibliotecárias entrevistadas é de que o livro não pode ser visto como um objeto distante e inalcançável, pertencente apenas ao mundo dos adultos. Deve ser acessível a todos.

“Ficamos um pouco estressados quando as crianças tiram 30 livros da estante de uma vez, mas elas precisam desse espaço de experimentação”, lembra a diretora da Biblioteca Monteiro Lobato, Marta Nosé Ferreira. “É como se achássemos que em uma caixa cheia de brinquedos a criança só fosse pegar um. Não, o legal é virar a caixa e jogar tudo no chão. A mesma coisa acontece com os livros”, explica.

Quem também valoriza essa autonomia infantil é Ana Paula Cechinel, do Sesc Bom Retiro. A bibliotecária quer rever a classificação do lugar em que trabalha para dar mais autonomia aos pequenos. “Queremos que as crianças possam sozinhas explorar as estantes. Elas até já fazem isso, não obedecem nenhum critério, o que eu acho incrível. Prestam atenção na capa, no tamanho do livro, na espessura. Algumas vão logo nos livros grossos e sem figura, porque ali existe a mística do universo adulto.”

Livro também é brinquedo!

Nos primeiros anos de vida, é importante que o objeto livro seja introduzido na vida da criança (ou ainda do bebê) de forma prazerosa e lúdica. Na Biblioteca Villa Lobos (BVL), localizada dentro de um imenso parque na zona oeste da cidade, esses objetos encontram-se em meio a bonecas, jogos de montar, quebra-cabeças.

Bibliotecária responsável pelo lugar, Letícia Fagiani recomenda que livros e brinquedos também ocupem os mesmos espaços em casa. “A criança já associa a leitura com o prazer, porque brincar é gostoso. Se ela entende que o livro também pode estar nesse horário da brincadeira, o relacionamento com a leitura melhora.”

Algo parecido ocorre na Biblioteca do Sesc Bom Retiro, localizada ao lado de um lugar voltado ao livre brincar das crianças. Ali, em meio a brincadeiras, a bibliotecária Ana Paula Chechinel aproveita para deixar alguns exemplares. Com essa simples ação, conta que o sucesso é garantido – muitas crianças acabam optando por brincar com livros em vez de escolher o brinquedo tradicional.

Mão na massa: colocando tudo em (des)ordem

Há diversas maneiras de organizar uma estante infantil. Apesar das bibliotecas se acostumarem a classificar os livros por ordem alfabética, é bastante comum que a criança busque por algum tema específico que lhe agrade. Por isso, separá-los de acordo com essas preferências é uma boa pedida – contos de fadas, poesia, futebol, livros de monstros… É o que faz, por exemplo, a bibliotecária do Colégio Rainha da Paz, Bit Cattani, que ainda organiza os temas com etiquetas coloridas.

Já Ana Paula, do Sesc Bom Retiro, propõe uma outra forma de dispor os exemplares, o que chama de “organização afetiva”: os livros são espalhados de acordo com seus momentos de leitura. No quarto, por exemplo, encontram-se aqueles lidos na hora de dormir. Na sala, os que se lê com os amigos e com a família; na cozinha, os de culinária. Eles devem estar espalhados pela casa e sempre disponíveis.

“Quando pensamos na classificação da biblioteca, pensamos no adulto. A criança não tem essa mania de classificação – depara-se com aquele objeto que está na frente dela, estranho até então, e que ela vai explorar. Por isso, acho que os livros têm que viver na casa como todos os objetos.”

As obras também podem estar dispostas em suportes simples, como cestinhas, caixas e espaços de pano, desde que em uma altura acessível aos pequenos. Também é recomendado que a maior quantidade possível de livros esteja disposta com as capas viradas para a frente, já que são a parte do objeto que mais atrai a atenção das crianças. Mas, é claro, não há uma regra rígida – a melhor organização é aquela que funciona na sua casa e na sua rotina com as crianças.

Como cuidar?

A limpeza e a manutenção de um acervo de livros infantis é assunto importante – até porque muitos dos exemplares acabam sendo mordidos, beijados ou até lambidos. Letícia Fagiani, da BVL, recomenda livros de capa dura ou até os conhecidos “livros de banho” para os bem pequeninos, já que costumam durar fisicamente por mais tempo.

Para a limpeza, ela recomenda apenas um pano com um pouco de álcool. Mas lembre-se: nessa fase, livros são experimentação. É importante ensinar a criança a manuseá-los, mas é natural que alguns acabem com suas capas rasgadas e as folhas faltando.

Fonte: Blog da Letrinhas.

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